segunda-feira, 12 de abril de 2010

Hoje eu vou deitar mais cedo que é pra ver se tem alguma estrela faltando no céu e eu não vou cruzar os dedos que é pra ter certeza que eu não menti.



Vera Loca

domingo, 11 de abril de 2010

Beber é algo emocional.
Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual.
Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede.
Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio
onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte.
É como se matar e renascer.
Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.


Charles Bukowski

sexta-feira, 9 de abril de 2010


"Acho que a gente tem que vencer. Ou lutar. E ficar bem. Feliz. Criar. Fazer. Se mexer."



Caio F.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

-Já lhe disse que abriria mão de toda a tecnologia existente no mundo se eu tivesse você em meus braços agora?
-Já.
-Já lhe disse, que sem a tecnologia não teríamos nos encontrado?
-Já.
-Já lhe disse que o amo?
-Já.
-Já me disseste que me amas também?
-Já, e já disse que eu estou com sono?
-Já.
-Me abraça.
-Não dá. To com sono.
-Te amo.
-... também.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Eram três.
Chegaram de mansinho, procurando comida. Ofereci-lhes leite, pão e carne.
A carne acabou. Dois, nem se importaram, continuaram bebendo leite e comendo os pedaços de pão que eu tinha picado. Só ele ficou lá, estático olhando pra porta pra ver se eu voltava. Ele queria que eu voltasse.
Ou talvez quisesse só a carne.

Faminto. Estático.

Mas eu não podia voltar. Estava mais faminto que todos eles juntos.
Eu gritava, latia, miava. Mas ninguém me ouvia. Ninguém me ouve.
Anseio por pão, leite e carne. Anseio por carinho, atenção e amor. Assim como eles.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Caio F.

Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria. 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

All Apologies

Fazer o que se ele é meu remédio, meu vício?
Sem ele enlouqueço, fico doente.
Preciso dele tanto quanto preciso de ar.
Preciso sentir o coração bater forte e as pernas ficarem trêmulas enquanto ele me diz que sou ingênua demais.
Preciso, outra vez, visitar constelações.
Preciso ser o coração, o sangue, a alma e o corpo.

Antes de tudo e mais nada


A noite nem havia sido tão longa, mas no meio fio se encontravam dois jovens. Meio bêbados, meio sóbrios. Meio pilhados, meio sonolentos.
Não que tenha sido só pouca coisa o que aconteceu. Longe disso. Por isso mesmo estavam cansados.
Ela, com seu casaco preto de algodão enorme, estava encostada nele. Discreto. Jeans, camiseta de banda e casaco sem nada demais.
Ela ainda carregava uma lata de cerveja, embora seu hálito ainda carregasse o mesmo cheiro de melancia de sempre. E era por isso que eles sempre terminavam a noite juntos.
Eles murmuravam perguntas, respostas e comentários um para o outro. De vez em quando se ouvia alguma risada.
Não havia nada demais ali.
Somente um casal de amigos: ela, do cabelo rosa claro descolorido, com um casaco gigante, maquiagem pesada nos olhos e hálito de morango. E ele, cabelo preto bagunçado, olhos castanhos amendoados, pele mulata, voz cálida e um abraço capaz de te engolir.
Ninguém nunca ousara pensar algo mais deles, muito menos os dois.
Era antes de tudo e mais nada, uma amizade. Não era a maior, mas a mais simples e menos confusa, ou complicada.
Winola Weiss

domingo, 4 de abril de 2010

Eu poderia estar nua naquele vento geladíssimo e mesmo assim, a dor seria menor que a de ter que me despedir de você.