domingo, 2 de maio de 2010


todo caminho que sigo
é por amor ao perigo
toda menina que amo
é por amor ao engano
todo silêncio que falo
é por amor ao que calo
toda verdade que minto
é por amor ao que sinto
todo poema que faço
é por amor ao fracasso



Chimia Geral.

sábado, 1 de maio de 2010

Ainda somos fúteis,
narcisistas e
vamos ao salão de beleza.

Insistimos em cinismo
e
falso descaso.

A única diferença
é que agora
choramos
em cantos separados.



...também fodemos com outras pessoas.





Kay
Umas horinhas aqui, outras lá...
Tempo pra pensar eu vou ter bastante.
Ah, droga, esqueci de comprar maçã pra comer na viagem.

"(...) é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir
é preciso chegar...


Ah, como esta vida é urgente!... no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas."


Quintana

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A triste verdade de nossas capitais


Numa escadaria entre-ruas mal iluminada estava um grupo de pessoas. Todas dando uma surra em alguém. Um rapaz, jovem, sem muita reação. Eram três contra um. Mal tentava se levantar e eles o chutavam, socavam, pisoteavam. Puxaram-no. Deram-lhe um soco certeiro no rosto. Cambaleou para trás, mas antes que pudesse cair seguraram-lhe e deram mais um. Depois outro na barriga. Pareciam não se cansar nunca. Até que pararam. Não pareciam cansados, mas pararam. Talvez achassem suficiente. Ele então sentou-se, apoiado á parede, enquanto os outros iam embora, e viu uma garota á sua frente. Ela o mirava com um sorriso. O rapaz levantou devagar a cabeça, seu nariz sangrando e o rosto inchado, para observar a garota. Sua visão estava embaçada, fora de foco. A garota virou-se e desceu ás escadas, indo embora, e o grupo de antes voltou, dando-lhe um chute no rosto.
Acordou. Observou o espelho no teto, ao lado do cartaz do Nirvana. Sentou-se na cama. Apoiou a cabeça sobre as mãos. O sol amanhecia. Precisava dormir mais.
Deitou-se na cama, mas sabia que não conseguiria dormir. Mesmo assim, fechou os olhos e fingiu descansar.
Assim como todo o resto, ele sabia que não era verdade.
Mas era o melhor que iria conseguir.



André Arieta

Jonathan

He was kind of a movie creep, his name was Jonathan. Like usually, he was in the cinema watching a classic movies session. It was Chaplin, his favorite. The cinema was completely empty, except for him.
- Hi – somebody said. He looked around and there was a girl sitting next to him, she wasn’t there before. He didn’t see her coming, either.
- Hello – he answered.
- I’m Tessy. You?
- Jonathan.
They watched the movie for some minutes.
- What movie is this? – She said.
- You paid for the ticket without knowing what movie you were watching?
- I didn’t pay for the ticket.
Someone complained about the noise. Of course there was no one there. They remained silent for some time. Jonathan didn’t understand a thing.
- Where are you from? – He asked.
- I don’t know, but I miss my home.
He looked her in the eyes. Smelled confusion.
- Come with me, I’ll take you home.
They walked together out of the cinema.

Jonathan was never seen again.





André Arieta
"É assim: vezenquando, uma coisa só começa mesmo a existir quando você também começa a prestar atenção na existência dela. Quando a gente começa a gostar duma pessoa, é bem assim."


Caio F.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Ferir-se cada dia mais e ferir também, pra aliviar a dor.



Mas, até que ponto poderemos aliviá-la? Até não aguentar mais as tentativas em vão ou até esquecer da sua existência?

Até que ponto podemos suportá-la? Nos consideramos fortes, astutos e ,por que não, poderosos.

Na verdade, somos um monte de lixo, um bando de baratas com medo do "inseticida" mais vagabundo. Porquê? Por que sabemos que somos fracos o bastante pra morrer num venenozinho qualquer.

Perdoe-me, pois não sei o que anuncio. Gostaria eu, de anunciar minha morte. Minha morte prematura.

Já contei aos senhores aqui presentes que, nasci pre-ma-tu-ra-men-te? Pois então, nasci pre-ma-tu-ra-men-te, experimentei as delícias da vida pre-ma-tu-ra-men-te, e quero morrer pre-ma-tu-ra-men-te.

Me sinto como um romancista, louvando a morte, cheio dos pessimismos e das fantasias.

Há tempos eu não reconheço aquele que vejo todos os dias em frente ao espelho, há tempos não sei o que é sentir um toque, uma mão macia percorrendo todo meu corpo.

Verdade seja dita, tive tudo ou quase tudo o que "sempre quis". 
Valor? Sim, eu dei valor. Perdi porque "eu quis" perder ou porque talvez não restasse escolha a não ser acabar.


It's all over now. I died.
eu rio enquanto choro
eu rio porque choro
eu choro
e paro
e penso
como eu sou idiota
porque eu choro
imbecil
eu mereci
e depois eu rio
e quão hipocrita e dissimulado eu sou
e choro de novo
e assim por diante


G.D.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

De repente, determinada música, traz lembranças de determinadas pessoas que você jamais imaginou lembrar outra vez.